sexta-feira, 7 de agosto de 2015

70 ANOS DA BOMBA ATÔMICA: Arsenal nuclear existente hoje é suficiente para armar cada país com 85 bombas atômicas

Os 9 detentores das 16 mil ogivas estão modernizando seus arsenais e não há indícios de que possam abrir mão do programa nuclear num futuro próximo.

No "Ópera Mundi"
Por Vanessa Martina Silva

Em 1945, ainda no contexto da 2ª Guerra Mundial, os Estados Unidos lançaram a bomba “Little Boy” (pequeno garoto) sobre Hiroshima, resultando na morte de cerca de 140 mil civis japoneses. Passados 70 anos, apesar dos tratados de desarmamento nuclear, a quantidade de armas deste tipo existente, mais de 16 mil, seria suficiente para armar todos os países do mundo com 85 ogivas — ou o equivalente ao arsenal nuclear de Israel, como indica o último Boletim dos Cientistas Atômicos, publicado ano passado.

Hiroshima foi o primeiro alvo de uma bomba nuclear na história. Três dias depois, a também japonesa Nagasaki teria o mesmo tratamento, alvo da ogiva norte-americana “Fat Man” (Homem Gordo). O saldo total de mortos decorrentes dos dois ataques ultrapassa os 200 mil civis japoneses. Após os bombardeios, ocorreram mais de 2.000 detonações de bombas nucleares em testes e demonstrações, nenhuma delas foi em outra guerra.

Imagem cedida pelo exército dos EUA mostra momento da explosão da bomba em Hiroshima
O uso das bombas impulsionou a corrida armamentista entre Estados Unidos e a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) durante o período conhecido como Guerra Fria (1945-1991). Não por acaso, hoje Rússia e os EUA detêm 93% das armas nucleares de todo o mundo.

A quantidade de ogivas prontas para o uso sob a posse de Washington e Moscou é aproximadamente 25 vezes superior à da França, que detém o terceiro maior arsenal. E, se permanecer no mesmo ritmo de crescimento, os dois arsenais que crescem mais rapidamente, Paquistão e Índia, poderiam levar 760 anos para atingir os dois países no topo da lista.

Gastos De acordo com a ONG Global Zero, que defende um mundo sem armas nucleares, nesta década (entre 2010 e 2020), os governos ao redor do mundo gastarão em torno de US$ 1 trilhão em armas nucleares.

A mesma organização aponta que os nove países gastaram, em 2011, aproximadamente US$ 100 bilhões de dólares em programas nucleares — sendo que somente os Estados Unidos gastaram US$ 61,3 bilhões —. O estudo considera ainda que, em uma estimativa conservadora, o custo representa 9% do total de investimentos militares a cada ano.

Em tom crítico, a ONG pontua que os gestores precisam fazer escolhas, “sobretudo em tempos de crise”, e que preferem realizar cortes em “educação, saúde, segurança pública e outros serviços essenciais”, mas não em armas nucleares.

Cúpula da bomba atômica é símbolo da devastação de Hiroshima
Não-Proliferação

São nove os países que possuem reconhecidamente armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, República Popular da China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte e Israel.

Mas, somente os cinco países integrantes do TNP (Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares), e que também são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China — possuem mais de 98% das armas nucleares do mundo, como aponta o estudo citado.

Assim, apesar do aumento de armamento em países fora do TNP, a responsabilidade pela redução das armas de destruição em massa é predominantemente do chamado grupo dos cinco, diz o estudo científico. 

O trabalho, realizado por Hans M. Kristensen e Robert S. Norris, ambos da Federação de Cientistas Norte-Americanos, conclui que o TNP está diante de um dilema. "Após décadas de redução dos níveis das ogivas nucleares após a Guerra Fria, esta tendência parece ter diminuído e todos os Estados com armamento nuclear estão ocupados modernizando seus arsenais nucleares. Não há indicações de que alguma das potências esteja planejando desistir das armas nucleares em um futuro previsível. Ao contrário, todas falam da importância das armas nucleares para a segurança nacional”, aponta.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Redução da maioridade penal é a solução?

Pesquisa da Fundação Perseu Abramo sobre segurança pública mostra que a percepção dos entrevistados é influenciada, principalmente, pelo noticiário televisivo, cuja pauta está centralizada nos crimes violentos. A sensação da opinião pública é de que a violência aumentou muito nos últimos dois anos.

No Teoria & Debate
Por Vilma Bokany


A pesquisa Segurança Pública no Brasil, realizada pelo Núcleo de Estudos e Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo[1], indica que o problema da segurança pública está no topo do ranking das principais preocupações dos brasileiros (33%), superando outros serviços públicos, como a saúde (28%) e, com larga distância, a educação (12%). Muitas vezes é relatado como violência (17%) e outras como segurança (16%), termos que representam faces da mesma moeda, uma vez que a violência é compreendida como a violação da lei, crimes, o que traz implicações para a integridade física ou o patrimônio de indivíduos, e a segurança entendida como a resposta a um problema público.

Assalto, roubo ou furto são as principais menções de manifestação de violência (indicadas por 6,7% dos entrevistados), além das drogas (5%). No campo da segurança pública, destaca-se a ausência de policiamento ou rondas (por 8,8%), além da falta de policiais (2,6%).

O problema é fortemente alardeado pela mídia e são desconhecidos os esforços do poder público em sua contenção. A percepção da opinião pública é de que, nos últimos dois anos, a delinquência ou a criminalidade se agravaram muito no Brasil (82%) ou ao menos um pouco (11%), consolidando para 93% uma sensação de crescimento da violência no país. Também nas cidades onde vivem, os entrevistados sentem que a criminalidade aumentou (75%). Apenas 9,9% afirmaram que havia diminuído em suas cidades, nos últimos doze meses.

A sensação é de que tanto a segurança pública como a segurança pessoal no Brasil pioraram (para 69% e 54%, respectivamente) e somente 10% da população acredita que o serviço prestado pela polícia na cidade ou no bairro melhorou. Esse sentimento se reflete na mudança de comportamento, hábitos e atitudes da população. Entre as principais medidas de precaução adotadas estão evitar sair com dinheiro ou à noite (72% e 69%, respectivamente). Aumentar os cuidados ao entrar e sair de casa, colocar grades, trancas e cadeados e deixar de circular por determinados lugares da cidade são outros procedimentos assumidos por mais da metade da população, o que demostra o quanto o direito à cidade é violado por essa expectativa desfavorável do avanço da violência.

O assalto nas proximidades é o delito mais temido por 31% da população e o medo de uma bala perdida aparece em segundo lugar, com 20% de menções. Considerando o ranking geral, pouco menos de 10% tem como maior temor morrer assassinado, ter a residência invadida ou arrombada, sofrer agressão física ou ser vítima de tiroteio (8%, cada um).

Essa sensação de insegurança não é desprovida de razão. Procede da proximidade com ações violentas, uma vez que cerca de metade da população já presenciou alguém sendo agredido (52%) ou a polícia prendendo alguém (51%), 42% já viu alguém sendo assaltado, 27% já presenciou tiroteios, 17% viu alguém recebendo um tiro e 14% testemunhou um assassinato, além da proximidade com uso de drogas, apontada por 63%.

Percepções da violência e da segurança

A proximidade da violência é real e se traduz no reconhecimento da existência e gravidade do problema. Excluindo-se a multiplicidade, 67% dos entrevistados declararam já ter sido vítima de algum tipo de ato violento. Considerando apenas os crimes contra o patrimônio, quase metade da amostra (49%) relatou já ter sofrido algum delito dessa natureza. Nesse caso, as ocorrências que mais prevaleceram foram assalto ou roubo (33%), 21% tiveram a resistência roubada, 14% já sofreram furto de objetos e 9% foram vítimas de roubo.

Embora as ocorrências recaiam principalmente sobre crimes contra o patrimônio, pouco mais de um terço (38%) sofreu algum tipo de atentado contra a vida. Não é baixa a taxa dos que tiveram algum parente ou amigo assassinado (18%) ou mesmo dos que foram vítimas de agressão física (14%) – mesma taxa dos que já tiveram algum objeto furtado – e 12% ameaças de agressão física.

Os crimes contra a honra, embora pouco reconhecidos como tal, atingiram 28% da população, sendo o insulto e humilhação o mais comum, citado por 23%.

Provavelmente, devido à gravidade do fato, na percepção da opinião pública o assassinato é o crime mais cometido (17%), seguido por assalto, furto ou roubo (16%), latrocínio (14%) e assalto à mão armada (13%), que, independentemente da forma como é mencionado, eleva ao topo do ranking, com 43% das respostas os crimes contra o patrimônio como os mais praticados.

A mídia impressa e eletrônica tem participação ativa na construção dessa percepção de sociedade violenta. Basta observar a atenção, a cobertura e o tempo dedicados, sobretudo pela TV, aos crimes urbanos violentos em programas com apresentadores especializados em explorar, debater e criticar a criminalidade, abordando os atos criminosossss pela perspectiva da espetacularização e, muitas vezes, assumindo o papel de “julgadores”. Quase a totalidade da população brasileira se informa pela TV e a maioria (85%) acredita que a quantidade de notícias sobre violência veiculadas na mídia estáá de acordo com a realidade.

Soluções para barrar a criminalidade? 

Cabe refletir sobre de que maneira o problema da segurança pública deve ser abordado, se pela lógica da culpabilidade e punição, com medidas mais duras apoiadas pelos cidadãos, ou se a violência deve ser pensada como consequência das relações sociais marcadas pela desigualdade.

A maior parte da população é a favor do fortalecimento de medidas punitivas, por parte do governo, para a contenção da violência, como o monitoramento por braceletes ou tornozeleiras eletrônicas e o uso das Forças Armadas no combate à criminalidade (82%, ambos), além de 78% que se posicionam favoráveis à prisão perpétua e 63% à pena de morte.

No entanto, merecem destaque no futuro debate sobre segurança pública medidas como a adoção de penas alternativas para crimes menores, políticas públicas para a reinserção de presos na vida social, que têm aceitação de 79% e 78%, respectivamente, além da unificação das Polícias Civil e Militar (apoiada por 65% da população).

A privatização dos presídios, embora conte com a aprovação de pouco mais da metade da população (59%), está, junto com o direito a porte de armas (40%), entre as medidas menos populares que poderiam ser adotadas pelos governos.

Entre os fatores que podem estimular a violência, 89% concordam que os menores de idade que cometem crimes violentos devem ser julgados como adultos, 86% consideram a certeza da impunidade uma das principais razões para o aumento da criminalidade e 85% creem que penas mais rigorosas reduzem a criminalidade. Cerca de metade da população (54%) pensa que a violência dos criminosos justifica uma ação violenta da polícia e um em cada quatro entrevistados acredita que legalizar a venda e o uso da maconha diminuirá a criminalidade (24%).

Por outro lado, entre os fatores que podem desestimular a violência, também é correspondente (85%) a taxa dos que afirmam que educação e formação profissional contribuem mais para a redução da violência do que ações repressivas, 78% estão de acordo que o uso de armas de fogo pela população aumenta a violência e 59% concordam que a proibição de venda de bebidas alcoólicas após a meia-noite contribui para a redução da criminalidade. 

Apoio popular à redução da maioridade

Questionados diretamente quanto à mudança ou manutenção da atual idade penal, 91% são de opinião que deve diminuir (entre 13 e 15 anos, para 42%, e 16 ou 17, para 41%). Desde 2003, quando começamos a verificar, este é o momento em que o tema da redução da maioridade penal encontra maior apoio popular, tendo aumentado cerca de 13 pontos percentuais nos últimos dois anos (ver gráfico abaixo).


É preciso debater e mostrar o quanto essa proposta é um grande retrocesso. Essa discussão não pode ser pensada de modo isolado, deve-se pensar a quem essa medida tende a atingir em maior proporção – a população pobre, jovem e negra. Nos anos 1990, década marcada por massacres como o da Candelária, que resultou na morte de oito moradores de rua, entre eles seis menores de 18 anos, foi criado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - um avanço porque propunha medidas socioeducativas como sanção para os adolescentes em conflito com a lei, e com isso oferecia reabilitação e possibilidades de futuro a esses jovens, distanciando-se da ideia de punição. 

A maior parcela dos jovens em conflito com a lei está reclusa por fatores sociais, ou seja, roubo ou furto, agressão física e tráfico de drogas (que se organiza e recruta esses jovens para a venda no varejo). Segundo levantamento da Fundação Casa–SP realizado em março deste ano, dos 9.951 jovens atendidos pela instituição que cometeram crimes, o roubo qualificado corresponde a 44% dos casos (4.377 ocorrências), seguido pelo tráfico, com 38% (3.806). Considerando ainda roubo simples (4%), essas motivações respondem por 86% das detenções. Homicídiios não chegam a 2% – portanto, crimes violentos não são padrão. Esse pode ser um forte indicativo de que falta a presença do Estado no cuidado dos jovens e na prevenção dos crimes cometidos por eles.

Pode-se afirmar que são os jovens, sobretudo os negros e pobres, não os principais autores, mas as principais vítimas da violência. Os dados do SIM/Datasus do Ministério da Saúde mostram que, dos 56.337 mortos por homicídios no Brasil, em 2012, 54% eram jovens (30.072), dos quais 77% negros (pretos e pardos) e 93% do sexo masculino[2]. 

No entanto, faltam dados sistematizados e confiáveis para a análise dos atos infracionais dos adolescentes. As instituições de privação de liberdade não prestam contas à sociedade sobre as medidas adotadas para reabilitar os adolescentes em conflito com a lei, tampouco do tipo de ato infracional pelo qual respondem. O fato de não julgar adolescentes como adultos não significa que a legislação atual não os puna. 

A sensação de impunidade, muito alimentada pela mídia, que tende a repercutir casos excepcionais em busca de audiência, faz com que a sociedade acene positivamente para qualquer medida que lhe pareça trazer alguma proteção, sem analisar prós e contras com o devido cuidado. O que se espera ao julgar um adolescente como um adulto? A redução da maioridade penal não reduzirá a violência. Não só não vai surtir os efeitos esperados como deve produzir efeitos contrários, ao conduzir adolescentes e jovens, com chances de reabilitação, ao aprofundamento no universo do crime. 

Não há evidências empíricas ou fatos que corroborem a ideia de que o endurecimento penal é eficiente como política de redução do crime. A lei contra crimes hediondos é prova disso: não diminuiu a criminalidade, apenas colaborou para a superlotação do sistema prisional. 

Entre os países da América do Sul, apenas a Guiana e o Suriname permitem que jovens entre 16 e 18 anos sejam julgados da mesma maneira que os adultos. Outro exemplo são os EUA, em que apenas quatro estados têm maioridade inferior a 17 anos e, mesmo assim, só em casos excepcionais, como homicídios, jovens são julgados como adultos. A Alemanha e a Espanha voltaram atrás na decisão de penalizar adolescentes com idade inferior a 18 anos. As propostas de redução da maioridade penal que tramitam no Congresso vão, mais uma vez, na contramão do que praticam países mais avançados na defesa dos direitos dos cidadãos. 

A demanda do cidadão por segurança pública é real e legítima, mas a redução da maioridade penal, sem o necessário aprofundamento da discussão e reflexão de seus resultados sobre uma sociedade já bastante penalizada pela violência e ausência de justiça, mais parece uma resposta para tratar o efeito, e não a causa real da violência. Mais do que atender a opinião pública em relação a ações repressivas e medidas punitivas, o Congresso deveria considerar medidas igualmente bem aceitas pela população, como a educação e formação profissional para a redução da violência, medidas alternativas para crimes menores, políticas públicas para a reinserção de presos na vida social, além de propostas de reorganização das forças policiais de modo unificado, como formas de minimizar os problemas sociais do país. 

Vilma Bokany é socióloga, analista de pesquisas do Núcleo de Estudos e Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo.

MST prossegue realizando atos pela reforma agrária e contra ajuste fiscal

Após ocupar prédios do Ministério da Fazenda, movimento promove novos protestos exigindo avanços na política fundiária brasileira.

No "Brasil de Fato"
Da Redação


Após realizar a ocupação de diversas instalações do Ministério da Fazenda em todo o país, o MST segue promovendo manifestações em prol de avanços na política de reforma agrária e contra o ajuste fiscal promovido pelo governo federal. Na tarde desta terça-feira (4), cerca de 7 mil trabalhadores rurais marcharam pelas ruas de Rio Bonito do Iguaçu (PR) na luta contra a empresa de celulose Araupel.

Há mais de um ano, cerca de 3 mil famílias reivindicam a desapropriação da fazenda Rio das Cobras para fins de reforma agrária. A Araupel alega ser dona da área, porém diversos documentos do Incra e do poder judiciário indicam que a área foi grilada.

Os Sem Terra denunciam a "aliança entre a empresa e os meios de comunicação local, que desde o início procuram deslegitimar a luta das famílias".

Em Pernambuco, cerca de 300 famílias ocuparam o Engenho Alegrete na manhã de ontem, no município de Água Preta. O Engenho é de propriedade da Usina Pumati, área que está sendo reivindicada pelos Sem Terra para destinação da reforma agrária.


Jornada 

Desde segunda (3), milhares de Sem Terra realizam mobilizações em todo o país na Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Diversos prédios do Ministério da Fazenda amanheceram ocupados por milhares de Sem Terra em todo o país. 

O MST denuncia "a paralisação da reforma agrária no país, agravada ainda mais com o ajuste fiscal do governo federal, que cortou quase 50% dos recursos da reforma agrária - de R$ 3,5 bilhões sobraram apenas R$ 1,8 bilhão".

Dez estados mais o Distrito Federal tiveram suas sedes do Ministério ocupadas. Além das instalações da pasta, diversas outras mobilizações, como ocupações de terras, trancamento de rodovias e ferrovias e marchas pelas cidades estão ocorrendo pelo país. Ao todo, 18 estados estão mobilizados, além da capital federal.

CONSPIRAÇÕES - NINGUÉM ESTÁ A SALVO (Uma série de raciocínios simples)

"Qual é seu grau de concordância com as seguintes teorias, numa escala de 1 = ‘Nulo’ a 7 = ‘Total’? 1) A aids foi criada intencionalmente pelo homem, mais especificamente pelo governo norte-americano. 2) A missão Apolo nunca chegou à Lua e as imagens divulgadas para o grande público não passaram de um truque da CIA. 3) O assassinato de John F. Kennedy não foi obra de um atirador solitário, mas o desfecho de uma vasta conspiração. 4) A princesa Diana não morreu num acidente de automóvel, foi assassinada etc.”

No "Le Monde Diplomatique Brasil"
Por Marina Maestrutti

Ao contrário do que afirmam seus detratores, os adeptos de teorias da conspiração não são indivíduos irracionais: sua crença baseia-se em raciocínios relativamente simples, mas levados um pouco longe demais...

A exemplo de Pascal Egger e Adrian Bangerter, autores desse texto,[1] a psicologia social tenta há muitos anos analisar os mecanismos de aquiescência às teorias da conspiração. Para ela, tais teorias são construções coletivas que representam uma das formas de expressão do “pensamento social”.[2] Essa disciplina se interessa principalmente pelas propensões que, em nossas maneiras habituais de pensar, favorecem a difusão e a persistência do conspiracionismo.

Encontramos, de início, o “viés de conjunção”, isto é, a tendência amplamente partilhada a superestimar a probabilidade de que dois eventos distintos estejam na verdade correlacionados. Daniel Kahneman e Amos Tversky verificaram isso graças a uma experiência em 1983.[3] Os dois pesquisadores apresentaram aos participantes um texto que traçava o retrato de Linda, 31 anos, formada em Filosofia, esquerdista e militante nos movimentos antirracistas. À pergunta “Você acha mais provável que Linda seja funcionária de banco (resposta A)? Ou funcionária de banco e feminista (resposta B)?”, quase 90% dos participantes responderam B. Fundamentaram seu julgamento antes nos dados do retrato fornecido que na probabilidade intrínseca de estarem diante de um caso raro – pois é mais comum alguém ser funcionário de banco que funcionário de banco e feminista. Estereótipos e considerações sociais sugeridos pelo retrato de Linda levaram os sujeitos a um erro de conjunção.

Essa tendência atua de modo direto nas teorias da conspiração. Olivier Klein e Nicolas van der Linden demonstraram-no a propósito do 11 de Setembro: diante de duas informações diferentes – a descoberta de aço fundido nos destroços das torres gêmeas e a falta de reação do governo Bush às informações de que indivíduos próximos à Al-Qaeda estavam treinando em escolas de pilotagem –, a maioria dos entrevistados se mostrou propensa a julgar a probabilidade conjunta desses dois elementos mais alta que sua probabilidade isolada.[4]

O “viés de intencionalidade”, que intervém na maneira como avaliamos os fatores causais, também labora em favor das teorias da conspiração. John McClure, Denis J. Hilton e Robbie M. Sutton estudaram esse ponto numa experiência recente. Apresentaram aos participantes vários relatos de um incêndio, variando suas causas: ele fora ora intencional (um ato criminoso), ora fortuito (o sol, o calor). Indagados sobre qual relato lhes parecia mais verossímil, os sujeitos se pronunciaram majoritariamente em favor do incêndio criminoso.[5] Essa propensão explica em parte por que algumas pessoas preferem as explicações fornecidas por uma teoria da conspiração, em particular quando a versão oficial carece de intencionalidade (a morte de Diana Spencer, o aparecimento da aids) ou sugere uma intencionalidade considerada duvidosa (o 11 de Setembro, os atentados ao periódico Charlie Hebdo).

Vem em seguida o “viés de simples exposição”. Como mostram diversos trabalhos, o mero fato de sermos apresentados a teses que sustentam uma teoria fomenta inconscientemente nossa adesão a ela. Os pesquisadores Karen Douglas e Robbie Sutton se propuseram a mensurar as condições de adesão aos relatos discordantes sobre a morte da princesa Diana. O grupo de alunos ao qual eles forneceram informações sustentando a hipótese de assassinato manifestou adesão mais alta que o grupo privado de informações.[6] 

A fim de precisar os contornos desse viés, Daniel T. Gilbert e sua equipe analisaram a maneira como nosso julgamento é influenciado pelas condições nas quais recebemos informações e pelo tipo de informação conhecida.[7] No contexto dessa experiência, dois grupos de participantes receberam uma lista de dados sobre um suspeito cuja culpabilidade eles procurariam estabelecer; foi-lhes dito que a lista continha várias informações “falsas”, facilmente identificáveis por um sinal vermelho e que não deveriam ser levadas em conta. Para o primeiro grupo, as informações falsas constituíam circunstâncias atenuantes; para o segundo, circunstâncias agravantes. Alguns sujeitos deveriam também ler a enumeração enquanto estivessem ocupados com tarefas cognitivas suplementares (por exemplo, associar números aos elementos da lista); os outros poderiam se concentrar na leitura. A seguir, todos se pronunciariam sobre a culpabilidade do suspeito e lhe atribuiriam uma pena. Resultado: muito poucos não levaram em conta as informações falsas; quando sua atenção foi desviada, consideraram verdadeiras todas as informações; os que receberam a lista com circunstâncias agravantes (que de antemão sabiam ser falsas) tenderam a atribuir penas mais pesadas. 

Enfim, o “viés de confirmação” induz os indivíduos a buscar informações que corroborem suas crenças preexistentes, não as que as invalidem. Também esse viés contribui para a persistência das teorias da conspiração. Em 1960, Peter C. Wason realizou uma experiência pioneira sobre esse tema. Apresentou aos participantes uma sequência de três números (por exemplo, 2, 4 e 8) composta segundo uma regra particular e pediu-lhes que criassem novas sequências de acordo com o mesmo modelo, submetendo-as depois ao experimentador para saber que regra haviam adotado. Caso houvesse conformidade na sequência, os participantes deveriam esclarecer a regra escolhida. A de Wason era muito simples – seus três números obedeciam a “qualquer ordem crescente” –, mas quase todas as pessoas interrogadas enunciaram uma regra mais complexa: múltiplos de dois, números pares, progressão geométrica... Além disso, as sequências que submeteram ao experimentador atestavam quase exclusivamente exemplos “positivos”, que confirmavam suas suposições, embora o melhor meio de verificar a hipótese teria sido propor uma sequência que não correspondesse a elas. Poucos participantes se arriscaram a eventualidades que supunham não conformes à regra. O viés de confirmação esclarece que as teorias da conspiração tendem a se autovalidar.

A influência desses quatro vieses cognitivos é o mais das vezes inconsciente, tornando difícil a imunização contra o conspiracionismo. Acreditar ou aceitar esse tipo de explicação não resulta de uma racionalidade patológica, mas de uma série de raciocínios relativamente simples, feitos à base dos dados disponíveis e do contexto social.

*Marina Maestrutti é professora de Sociologia da Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne.

[1] Pascal Wagner-Egger e Adrian Bangerter, “La vérité est ailleurs: corrélats de l’adhésion aux théories du complot” [A verdade é outra: correlatos da adesão às teorias da conspiração], Revue Internationale de Psychologie Sociale, Grenoble, abr. 2007. 

[2] Em 1973, Michel-Louis Rouquette introduziu o conceito de “pensamento social” para designar um “pensamento da gestão cotidiana”, ou seja, um pensamento daquilo que interessa diretamente às pessoas, daquilo que as preocupa, daquilo que importa a elas (a psicologia social chama isso de “implicação”). 

[3] Daniel Kahneman e Amos Tversky, “Probability, Representativeness, and the Conjunction Fallacy” [Probabilidade, representatividade e a falácia da conjunção], Psychological Review, Washington, n.90, 1983. 

[4] Olivier Klein e Nicola van der Linden, “Lorsque la cognition sociale devient paranoïde ou les aléas du scepticisme face aux théories du complot” [Quando a cognição social se torna paranoica ou os acasos do ceticismo diante das teorias da conspiração]. In: Emmanuelle Danblon e Loïc Nicolas (orgs.), Les Rhétoriques de la conspiration [As retóricas da conspiração], CNRS Éditions, Paris, 2010. 

[5] John McClure, Denis J. Hilton e Robbie M. Sutton, “Judgements of Voluntary and Physical Causes in Causal Chains: Probabilistic and Social Functionalist Criteria for Attributions” [Julgamentos de causas voluntárias e físicas nas cadeias causais: critérios probabilísticos e funcionalistas sociais para atribuições], European Journal of Social Psychology, n.37, Chichester (Reino Unido), 2007. 

[6] Karen M. Douglas e Robbie M. Sutton, “The Hidden Impact of Conspiracy Theories: Perceived and Actual Influence of Theories Surrounding the Death of Princess Diana” [O impacto oculto das teorias da conspiração: influência percebida e real das teorias em torno da morte da princesa Diana], The Journal of Social Psychology, n.148, Londres, 2008. 

[7] Daniel T. Gilbert, Romin W. Tafarodi e Patrick S. Malone, “You Can’t Not Believe Everything You Read” [Você não pode não acreditar em tudo que lê], Journal of Personality and Social Psychology, n.65, Washington, DC, 1993.

FOLHA: CUNHA 'ENLAMEIA' AS CPIS E O IMPEACHMENT

Em mais um duro editorial contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o jornal da família Frias o acusa de colocar o Legislativo "a serviço de inconfessáveis objetivos pessoais"; numa crítica que atinge também o PSDB, a Folha diz ainda ser "espantoso que tantos no Congresso Nacional se disponham a secundá-lo".

No "Brasil247"
Da Redação


Em mais um duro editorial contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o jornal da família Frias o acusa de colocar o Legislativo "a serviço de inconfessáveis objetivos pessoais". 

Numa crítica que atinge também o PSDB, a Folha diz ainda ser "espantoso que tantos no Congresso Nacional se disponham a secundá-lo". Leia abaixo: 

Desconcerto 

Bastou um dia de sessão na Câmara dos Deputados para ficar evidente que o recesso parlamentar não arrefeceu o confronto entre Legislativo e Executivo. Pior, o conflito parece enveredar pela via arriscada do descontrole político e da chantagem desabrida. 

Nem mesmo as decisões concertadas entre líderes partidários se mostram capazes de pôr a Câmara nos trilhos do interesse nacional. 

Após intensas conversas, decidiu-se retirar da agenda o item da chamada pauta-bomba que equipararia vencimentos na Advocacia-Geral da União e na Polícia Federal aos vigentes no Judiciário. A trégua duraria três semanas, mas, em questão de horas, o plenário derrubou o acordo dos líderes. 

Há duas hipóteses para explicar a confusa reviravolta; nenhuma é animadora. A primeira: falta de controle dos próceres sobre as suas bancadas. A segunda: que outra liderança –mais forte, mais influente e mais avessa aos trâmites democráticos– esteja em ação. 

Todas as evidências apontam para o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Acossado pela acusação de recebimento de propina, o presidente da Câmara multiplica confirmações de sua prontidão para pôr a Casa a serviço de inconfessáveis objetivos pessoais.

Como um trator desgovernado, a bancada fiel a Cunha atropela e aleija não só o esforço para equilibrar as contas do governo federal neste momento de crise econômica. Também enlameia dois institutos valiosos para corrigir desvios nos rumos do país, a saber, as comissões parlamentares de inquérito e o mecanismo do impeachment. 

As CPIs são esgrimidas pela Câmara como vergonhoso instrumento de pressão. Há boas razões para investigar o BNDES e os fundos de pensão associados ao governo petista, mas não são elas que movem a abertura das comissões e a exclusão do PT de sua direção. 

O objetivo dos parlamentares é acuar uma presidente fraca e impopular. Para tanto, a Câmara de Cunha –com o apoio até do outrora comedido PSDB– não hesita em brandir a ameaça do impedimento de Dilma Rousseff (PT). 

O impeachment é um recurso extremado da democracia para as raras situações em que se torna necessário ejetar um governante legitimamente eleito. Requer sólida comprovação jurídica de crime de responsabilidade, antes de mais nada, e depois o consenso político de que o mandatário perdeu toda a condição de governar. 

Nenhum desses pré-requisitos está dado. Ao manobrar nos bastidores para que seus colegas mantenham viva a chantagem e camuflem suas impressões digitais, Eduardo Cunha dá mostras de que não mede as consequências de seus atos e maquinações para a República –e é espantoso que tantos no Congresso Nacional se disponham a secundá-lo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Brasil: potência orgânica?

Quando pensamos nos benefícios do alimento orgânico logo nos vem à cabeça os aspectos relacionados à saúde humana, pelo simples fato de evitarmos o consumo de agrotóxicos. No entanto, as virtudes vão além, sendo a produção orgânica aliada direta da própria conservação da natureza.

No "Envolverde"
Via "SOS Mata Atlântica"
Por Marcia Hirota e Marcos Palmeira*

Alimentos orgânicos são produzidos por meio de técnicas específicas, buscando otimizar recursos naturais e socioeconômicos, objetivar a sustentabilidade econômica e ecológica e minimizar o uso de energias não-renováveis, sem empregar materiais sintéticos, organismos modificados geneticamente ou radiações ionizantes. O objetivo final dos orgânicos é a saúde da população, mas também a manutenção do equilíbrio do planeta, já que essa é uma técnica que preserva nossos solos, águas e biodiversidade. 

Outro benefício está no próprio processo de certificação dessa produção. Para ser certificado, o proprietário de terra necessita, antes de mais nada, seguir a legislação ambiental, o que inclui, por exemplo, ter a Reserva Legal e proteger as Áreas de Proteção Ambiental (APPs). Pode parecer absurdo listarmos esse item como vantagem, mas sabemos que a realidade do agronegócio ainda está longe do cumprimento da lei. Inclusive, este é um dos motivos que encarece o produto orgânico e limita muitos pequenos proprietários de terra a investirem nesse tipo de produção. 

Soluções e opções existem. Em Sorocaba, no interior de São Paulo, um coletivo da sociedade civil, com o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e parceria da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), criou o Grupo de Articulação Regional da Feira de Orgânicos de Sorocaba (Garfos) para a realização de uma feira de “transição agroecológica”, justamente para incentivar a produção de orgânicos de Piedade, município vizinho. Muitos produtores em Piedade, que é um dos principais abastecedores da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), começavam a trocar os insumos químicos pela agricultura orgânica, mas sem os recursos para realizar a certificação. Com a feira, que acontece em um parque de Sorocaba todos os sábados, esses proprietários encontraram um local para comercializar diretamente sua produção e, assim, levantar os recursos para se certificarem. Para completar, a iniciativa trabalha ainda em todas as etapas, desde o apoio ao produtor convencional que quer realizar a transição, o suporte ao pequeno produtor que encontra resistência para a mudança, a valorização da agricultura familiar e o estímulo ao consumo de produtos saudáveis. 

Tal experiência aponta também o importante papel do consumidor como incentivador da produção orgânica. Não que a responsabilidade seja apenas de quem consome, mas gerar demanda é sim uma saída bastante eficiente para se estimular novas relações de produção, consumo e modelos de negócio. Um exemplo bastante inovador, e inspirador, é o Instituo Chão, recentemente inaugurado no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, definido pelos fundadores como “um espaço de convivência e economia social para experimentação de novas formas de relação”. 

Na feira da associação sem fins lucrativos, que funciona de terça a domingo, os alimentos orgânicos são vendidos pelo preço do produtor, sem margem de lucro. Além do hortifruti, há ainda um café e mercearia. O preço chama atenção e já tem gerado procura, mas o mais interessante é a experiência socioeconômica e solidária, que elimina do preço final os custos operacionais do ponto de venda e convida os frequentadores-consumidores a colaborarem espontaneamente com doações para cobrir tais despesas, expostas com transparência num quadro negro. Vale a visita! 

Agora, já que são tantos os benefícios da produção orgânica, porque o Brasil investe tão pouco nessa modalidade e continua a bater recordes no consumo de defensivos agrícolas? O motivo está no nosso modelo de agricultura pautada na monocultura e na produção de commodities. Esta é uma base importante para a balança comercial brasileira, tanto que durante a última década o país cresceu amparado na comercialização de alguns produtos primários, como a soja, o milho e o algodão. Mas é também um modelo econômico bastante questionável e que começa a dar sinais de enfraquecimento, com o recuo da cotação desses produtos no mercado internacional. 

Quando se planta e produz numa escala grandiosa e com uma diversidade baixa, ainda por cima em áreas sem a presença adequada de florestas, naturalmente ocorrerá o empobrecimento do solo, o descontrole natural de pragas, a diminuição da população de polinizadores, como as abelhas, a desproteção dos recursos hídricos e mais uma série de fatores que constituem o cenário ideal para que o Brasil se mantenha na liderança do consumo mundial de defensivos agrícolas. Sem contar que estamos falando em commodities, não em alimentos para a população. 

O uso desses produtos é tamanho que o país já ultrapassou, em 2009, a marca de 1 milhão de toneladas de defensivos por ano, de acordo com o estudo “Agrotóxicos no Brasil: um guia para ação em defesa da vida”, de 2011. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), nos últimos 40 anos o uso de defensivos agrícolas subiu 700%, frente ao aumento de 78% da área plantada no Brasil. Números que não devem ser comemorados e evidenciam o excesso de agrotóxico aplicado em nossas plantações. 

Em abril deste ano, o Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão ligado ao Ministério da Saúde, divulgou nota de posicionamento em que pede a redução da utilização de agrotóxicos no país, alegando que as atuais práticas de uso de produtos químicos sintéticos na produção de alimentos oferecem risco à saúde, tanto das populações que estão expostas aos defensivos nas regiões de produção agrícola, como também de quem consome o produto final, em casa. Para se ter uma ideia do imbróglio, dos 50 produtos mais utilizados na agricultura brasileira, 22 são proibidos na União Europeia. 

Além dos problemas para a saúde, os agrotóxicos representam uma grave ameaça para o meio ambiente, principalmente para os recursos hídricos. A utilização dos defensivos agrícolas é a segunda maior causa de contaminação dos rios, ficando atrás apenas do esgoto doméstico. Por estas e outras é que a produção sustentável, como o cultivo orgânico, continua sendo um grande desafio para o setor agrícola. 

A sociedade precisa se organizar e pressionar o governo para que reveja sua política de incentivo à produção de agrotóxicos, evite a liberação de substâncias que já são proibidas em outros países e invista na redução progressiva desses produtos. Afinal, ainda sonhamos que um dia viveremos num mundo sustentável, em que a agroecologia se multiplique e o Brasil se torne o maior celeiro de produtos orgânicos do mundo. É possível alimentar a humanidade com alimentos orgânicos! 

* Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica e Marcos Palmeira é ator e produtor orgânico.

Em que país do mundo você acha que um policial algemou duas crianças na escola?

Imagens mostram um policial algemando um menino de apenas oito anos – que sofre de hiperatividade e déficit de atenção – em uma escola nos Estados Unidos e há denúncias apontando que ele pode ter feito o mesmo com uma menina de 9 anos. Confira o vídeo

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Da Redação


Mais um episódio de abuso e violência da polícia norte-americana veio à tona com um vídeo divulgado nesta terça-feira (5). Os alvo de agora, no entanto, não foram jovens negros, como nos últimos casos que ficaram famosos, mas duas crianças dentro de uma escola: uma de 8 e outra de 9 anos. 

De acordo com American Civil Liberties Union – entidade que divulgou o vídeo – o caso aconteceu no ano passado em uma escola no estado de Kentucky. Pelas imagens gravadas por uma pessoa escondida, é possível ver o policial que cuidava da escola mantendo um menino de apenas 8 anos algemado. Segundo a entidade, o garoto sofre de hiperatividade e déficit de atenção e o agente teria o algemado por conta do seu “comportamento inadequado”.

“Se você se comportar eu tiro”, diz o policial enquanto o menino chora e diz que as algemas o machucam. As mãos da criança eram tão pequenas que as algemas, inclusive, foram colocadas na parte de cima do seu braço. Além dos maus-tratos, há denúncias de que o policial tenha feito o mesmo com uma menina de 9 anos da mesma escola. 

Nesta segunda-feira (4), Kevin Sumne – como foi identificado o policial – participou de uma audiência em que está sendo processado por ter provocado trauma e dor aos alunos. De acordo com a mãe do garoto, ele ainda chora, tem pesadelos e sente os traumas por conta da ação.